sábado, 6 de março de 2010

Adeus poesia!

Como saber dos desígnios, da roda do destino
Do fio de esperança que costurei não obstante
Das amarras e travas da alma, amargo desatino
Das horas que perdi pois esperei,...desgastantes

Fui esquecida e o tempo tragou-me o viver
Papiros e pergaminhos não relatam a estória
Sem viço, sem branco riso, nada a bendizer
O umbral me aguarda apesar dessa sinestesia

Alaridos ecoam das dores calcinadas, putrefatas
Pó...Cinza que me trouxe e que breve me levará
Morta viva e a orbitar nos meus olhos de primata
Um alguém que muito amei e que nunca saberá!

E o lirismo enterro agora na mais funda das covas
Ensaio um adeus para a única e fiel amiga, a poesia
Versos tristes apesar de a noite surgir com lua nova
Nada me traduz, arrasto minha cruz, eterna agonia!

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